Vereadores e entidades classistas discutem retorno do comércio

Vereadores e entidades classistas discutem retorno do comércio Ascom/Câmara

Uma reunião especial foi realizada, nesta quinta-feira (22), na Câmara de Vereadores de Montes Claros para discutir a necessidade de flexibilização do funcionamento do setor produtivo de Montes Claros. Medidas adotadas combater a Covid-19 foram questionadas por representantes de entidades de classe.


Ernandes Ferreira da Silva, Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Montes Claros (CDL), representando as instituições classistas que viram a necessidade de pedir apoio dos vereadores para que o prefeito Humberto Souto libere a abertura, a partir do dia 1º de maio, das empresas inseridas no isolamento social, permitindo a volta ao trabalho daqueles que estão fora dos grupos de riscos, além de apoio em questões tributárias.


A dificuldade econômica de grade parte do comércio foi uma das causas do pedido da flexibilização do Decreto Municipal. Hoje completou, para muitos comércios, 30 dias de isolamento: “estamos preocupados com a vida e com situação econômica, por isso, sentimos a necessidade de envolver a classe política na busca por soluções, trazendo de forma oficial, a questão ao legislativo.
Grandes, médios e pequenos empresários já estão em dificuldades. “Alguns pequenos empresários estão até em situação pior do que seus empregados, isso porque não têm como sustentar seus negócios”, falou Ernandes.


O empregado ou trabalhador autônomo tem de certa forma ajuda do governo. Mas o empresário até para buscar auxílio tem dificuldade. O empréstimo terá que ser pago. Mais uma dívida na conta do empresário, declarou o líder classista.


O Vice-prefeito de Montes Claros e presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais – FIEMG/Regional Norte, Adauto Marques Batista, destacou que abrir o comércio, voltar o convívio social tem que ser de forma muito responsável. Ele aproveitou para cobrar dos governos federal, estadual a instalação do hospital de campanha que teria também a participação do município e algumas pessoas da iniciativa privada.


Glenn Andrade, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Montes Claros, destacou a necessidade de união das classes neste momento de crise na saúde e também na economia. Ele citou que ali estavam representantes do comércio, indústria, setor rural, entidades responsáveis por maior parte do PIB da região, na busca pelo apoio da Câmara, visando o estreitamento do diálogo junto ao Executivo na busca de soluções para minimizar os impactos negativos da Covid- 19.


“Muitos empresários e também trabalhadores têm procurado o Sindicato na busca de diálogo. Os trabalhadores têm solicitado o retorno das atividades e é isso que estamos fazendo hoje. Solicitando que, com muito critério e em acordo com o comitê de gestão da crise, encontremos uma saída para o retorno das atividades. A segunda onda de desemprego começa hoje, quando terminam as férias de muitos do setor produtivo e, se não buscarmos uma alternativa para minimizar os efeitos deste isolamento, podemos enfrentar em breve uma terceira onda de desemprego”, comentou Glenn.


Leonardo Vasconcelos, Presidente da Associação Comercial de Montes Claros (ACI) elogiou as ações tomadas pelos governos estadual e municipal deixando Minas Gerais e Montes Claros com os melhores índices do país. Mas ressaltou a necessidade de se preparar também para superar a crise, flexibilizando o isolamento de forma responsável para evitar um problema grave no setor econômico.


Na área rural, José Luiz Veloso Maia, Presidente da Sociedade Rural de Montes Claros, destacou que o Norte de Minas tem uma característica especial com referência ao leite que tem uma importância social fundamental.

“Temos os pequenos produtores que grande parte trabalha com queijo, feito na propriedade, temos um segundo grupo que entrega para os laticínios da região e os grandes que entregam o produto para as multinacionais como Itambé. Ele chamou a atenção para a questão dos pequenos produtores que estão fazendo 10, 15, 30 queijos por dia e, por causa do comércio fraco, estão sendo forçados a vender a produção a preços muito baixos, trazendo prejuízo para a classe. Por isso, a necessidade de buscar um acordo para a flexibilização do isolamento social. A sustentabilidade deve ser apalavra de ordem”, declarou o líder ruralista.


Ricardo Alencar Dias- Presidente do Sindicato das Indústrias da Panificação do Norte de Minas – SINDIPAN relatou que o setor é um dos que menos tem sido prejudicados, já que todas as padarias estão funcionando. Mesmo assim, por causa da situação econômica do povo, o movimento nas lojas já caiu de 30% a 40%. Ele destacou a necessidade de todo o comércio voltar a funcionar dando, assim a garantia do trabalhador de preservar seu emprego e, é claro, o alimento de sua família.

A flexibilização pode e deve ser feita com responsabilidade. Ele destacou que todas as padarias estão trabalhando, oferecendo gel, luvas e todas as condições de higiene.


Alexandre Pires Ramos - Presidente da Agência de Desenvolvimento da Região Norte de Minas Gerais – ADENOR, ressaltou que a comunidade precisa preocupar com os efeitos, não só financeiro, mas também mental, que esta crise está provocando. Ele destacou a necessidade da criação de comitê técnico com a participação da Câmara, prefeitura e entidades, principalmente da área da saúde, para discutir estas peculiaridades, buscando forma de amparar o povo.
José Avelino Pereira Neto - Presidente do Sindicato Rural de Montes Claros enfatizou que o ano começou com chuva e boa produção agrícola, mas na hora de colher e vender a pandemia impediu.

Por isso, a necessidade de se tomar medidas emergentes. “ A população sabe como se cuidar e, se houver a participação e ajuda da própria comunidade, podemos voltar às atividades com responsabilidade, diminuindo o prejuízo, principalmente do homem do campo” relatou Alexandre.


APOIO DOS VEREADORES


O vice-presidente da Casa Soter Magno ressaltou que as propostas apresentadas pelos representantes de classe, são reivindicações que podem e deve ser efetivamente estudadas e colocadas em prática pelos técnicos do comitê gestor de crise. Ele destacou a necessidade de serem colocados em prática os leitos ociosos e depois, sim, o hospital de campanha: “só nos hospitais Dílson Godinho e Aroldo Tourinho são pelo menos 200 leitos desativados”. Ele destacou a importância da discussão da flexibilização do isolamento, depois de uma decisão acertada do prefeito pelo isolamento social.


Maria Helena falou sobre a dificuldade de colocar em funcionamento o hospital de campanha, já que o Governo do Estado continua não repassando recursos para os hospitais de Montes Claros e por isso a importância do apoio das entidades de classe que podem e devem cobrar do governador esses recursos: “precisamos unir forças e buscar a reativação desses leitos. Precisamos colocar a UPA do Chiquinho Guimarães para funcionar e, não podemos porque os equipamentos estão parados em Brasília. Temos 50 respiradores comprados no final do ano e estão bloqueados porque Montes Claros não está sendo considerada área de risco. Reconhecemos o trabalho de prevenção feito pelo governador e prefeito e precisamos agora planejar também o setor econômico, buscando o equilibro de forças: saúde e economia”, finalizou Maria Helena.


Ildeu Maia destacou que as medidas tomadas até agora foram corretas e, por isso, a cidade não está com a situação tão complicada mas falou da necessidade de se buscar outras alternativas para cuidar da saúde e também da economia. O vereador deu exemplo à determinação dada pela prefeitura de Belo Horizonte que obrigou o uso de máscara por todas as pessoas: “dá segurança e condições ao cidadão de sobreviver. Isso, porque o Governo Federal não poderá entregar os R$600,00 para todos os necessitados por muito tempo, o Governo do Estado e Município não vão conseguir manter o pagamento dos servidores e atender as necessidades básicas. É preciso buscar alternativas para abrir todo o comércio, respeitando os cuidados necessários”, destacou Ildeu.


O parlamentar Valdecy Contador elogiou a iniciativa das entidades de classe em buscar solução para a situação econômica de Montes claros e região. Ele destacou que a flexibilização do funcionamento do comércio é uma necessidade e citou que como contador, já protocolou nos últimos dias, mais de 500 suspensões de trabalho, férias e rescisões de contratos: “são empresários e trabalhadores ligando até dez da noite, buscando alternativas. Sabemos que saúde é tudo, mas Montes Claros está numa boa situação em relação à Covid-19 e, por isso, precisamos pensar o futuro econômico” finalizou Valdecy que destacou a dificuldade dos empresários em conseguir uma linha de crédito e, mesmo conseguindo, vai ficar devendo também.


Júnior Martins elogiou a atitude do município, o que evitou o avanço da doença e falou sobre a busca de uma solução para a situação econômica: “Montes Claros é pólo de macrorregião com uma população flutuante na casa dos dois milhões e, por isso, precisamos buscar formas de vencer a situação na área da saúde e também econômica”, disse Júnior Martins.


Graça da Casa do Motor destacou que com a manifestação das entidades de classe e o apoio do legislativo e executivo, um novo decreto, flexibilizando a abertura do comércio, respeitando as regras de segurança, pode ser viável. Ela falou da dificuldade enfrentada pelos empresários que estão tendo que dispensar trabalhadores que necessitam do emprego para garantir o sustento da família: “os empresários estão sentindo na pele a situação econômica. Ter que escolher quem vai ter suspenso o contrato de trabalho, quem vai ter férias forçadas ou até diminuído o salário e, infelizmente a maioria, são pais de família. Acredito que o governo não vai conseguir manter essa ajuda por muito tempo e, por isso, pensamos tomar uma atitude”, comentou a vereadora.


Elair Gomes além de reforçar a importância da flexibilização do comércio, destacou a necessidade de liberar também os cultos e missas nas igrejas: “pedir a reabertura do comércio não é um ato irresponsável, ao contrário. Vemos a necessidade de muitos trabalhadores terem garantido o sustento das famílias. O prefeito tem oito dias para avaliar a reabertura do comércio respeitando as orientações do Ministério da Saúde. Tem muita gente passando fome”, disse o vereador que falou do encontro que teve como prefeito pedindo a liberação das celebrações nas igrejas, também respeitando as regras e evitando aglomerações.


Neia do Criança Feliz ressaltou a necessidade de reativar leitos ociosos e apoiar a economia com a reabertura do comércio de forma responsável para não permitir outra crise. A vereadora também defendeu a liberação das igrejas para celebração de cultos e missas: “vivemos um momento difícil. As pessoas estão precisando mais do que nunca exercitar a fé. Muitas estão com síndrome do pânico, entrando em depressão, com medo de morrer. Então eu sou a favor da reabertura das igrejas também”, destacou Neia.


Idelfonso da Saúde cobrou melhor estrutura na área da saúde: “uma cidade com mais de 400 mil habitantes não deve ter mais do que 500 respiradores. O prefeito fez barreiras importantes e necessárias, por isso, os bons resultados. Mas nós não sabemos o número certo de infectados, porque não tem exames suficientes e, por isso, só é feito o teste naquele que chega com os sintomas nos hospitais”, disse o vereador que cobrou o funcionamento do laboratório da Unimontes que foi habilitado para exames, mas até agora não foi visto um trabalho efetivo.


Ailton do Vilage falou da necessidade de pequenos comerciantes voltarem suas atividades e dos trabalhadores garantirem seus empregos e, por isso, a medida de flexibilização do funcionamento do comércio deve ser considerada pelo prefeito: “muita gente já nos procura pedindo ajuda. Antes podíamos fazer um bingo, um futebol beneficente, mas hoje isso já não é possível. O prefeito poderia olhar com atenção para esta situação e levar em conta o clamor das entidades de classe” completou o vereador.


O parlamentar Claudinho destacou as medidas adotadas pelo município para evitar o contágio e falou sobre a arrecadação municipal que está caindo. Relatou que muitas contas, como a coleta de lixo, são pagas com recursos municipais. Os tributos também pagam os salários dos servidores que já começam a preocupar: “tenho certeza que o prefeito vai avaliar a necessidade, não só das entidades de classe, como também do próprio município e buscando alternativa para amenizar a situação” finalizou o parlamentar.


Wilton Dias reconheceu que o município acertou em implantar as medidas para diminuir os riscos de contágio pelo Covid 19. Destacou que os efeitos da pandemia vão ser sentidos por anos: “o dano pode ser irreversível. Tenho certeza que o prefeito terá bom senso em validar o pedido dos representantes das entidades de classe, que tem o apoio da Casa”, comentou o vereador.


O vereador Daniel Dias falou da dificuldade enfrentada pelo governo federal e elogiou a iniciativa das entidades de classe em discutir com o poder público a necessidade de reabertura do comércio: “defendo que a abertura do comércio ter ser feita com consciência. Uma hora vai ter que ser feita, mas precisa de um compromisso sério para que a saúde não seja afetada. Isso porque se tivermos um agravamento dos casos não teremos estrutura cuidar de todos.


O presidente da Casa, Marcos Nem fechou a reunião elogiando a iniciativa e colocando a Casa à disposição e se comprometeu a levar ao prefeito todas as dificuldades e as demandas apresentadas no documento assinado pelos representantes das entidades de classe: “hoje mesmo estarei com o prefeito para apresentar o relatório. Todos que usaram o microfone dessa casa defenderam a reabertura do comércio com responsabilidade. Todos falaram que a prioridade é a vida, mas sem fechar os olhos para a economia e a garantia do sustento de milhares de famílias. O prefeito tomou medias necessárias, porque naquele momento faltavam máscaras, faltava álcool em gel, estas e outras coisas que temos hoje e que, por isso, podemos avaliar com bons olhos a reabertura do comércio e a retomada da economia” finalizou Marcos Nem.