‘Não somos contra a Apac, só não queremos no Jardim Olímpico’, declaram moradores

‘Não somos contra a Apac, só não queremos no Jardim Olímpico’, declaram moradores Ascom/CMMC

A construção de uma unidade prisional da Associação de Proteção e Assistência ao Condenado  (APAC), no Jardim Olímpico, em Montes Claros, foi tema de audiência pública, na Câmara Municipal. De um lado, a comunidade e os Vereadores que são contra o empreendimento no lugar. Do outro, o Judiciário, recuperandos e a Pastoral Carcerária a favor. Um debate acalourado tomou conta do Plenário da Casa Legislativa, nesta quinta-feira (28).

Proponente da discussão, Edmílson Magalhães (PSDB), argumentou os anseios da comunidade e reforçou que não é contra a Apac e sim que ela seja transferida de local.

“A Comunidade precisa de infraestrutura, falta tudo no local e não de uma Apac. A lei que autorizou a doação do terreno encerra ano que vem e tenho de certeza de que a Casa Legislativa não votará pela permanência no Jardim Olímpico. Queremos o desenvolvimento daquela região, não uma Apac. Somos favoráveis a vida, não a criminalidade e sabemos que em outros lugares há fugas de presos, sequestros. Não é um mar de rosas como pregam. Desejamos que o Executivo encontre um local mais adequado”, declarou o vereador.

Marcos Nem (PSD), presidente da Câmara, reforçou a importância da Apac, mas acredita que é necessário a mudança de bairro.

“A segurança das famílias é também importante. Precisamos encontrar um denominador comum, mas a prioridade é que não seja naquela região. Vamos procurar o Prefeito Humberto Souto para levar a Apac para outro lugar”, garantiu o Líder do Legislativo.

O Militar reformado, Gílson Lacerda, falou que os moradores vão correr riscos. Ele disse que há dez anos os morados compraram os lotes porque era residencial, não centro para presos.

Cristiane Carine, impressora serigráfica, afirma o que eles desejam é “os R$ 2 milhões sejam investidos em escolas, unidades de saúde, asfalto, creches. Precisamos de melhorias. Não podemos nem receber a carta em casa, pois os Correios não vão ao nosso bairro. Nem nomes das ruas temos e querem instalar uma Apac? Quando compramos nossas casas fomos informados que iriam para aquela localidade era os Bombeiros e o Samu, não presos condenados”, falou.

Renan Oliveira Lacerda representou os moradores. Conforme ele expôs, todos no bairro já foram vítimas de violência.

“Estamos vulneráveis, quase todo mundo já teve um assalto, um furto. Temos diversos problemas e a última coisa que queremos é a Apac no bairro. Sobram problemas e ainda querem nos empurrar os presos. Não vamos aceitar!”, divulgou.

O que é Apac

Inácio de Loiola, presidente da Apac, afirma que nos objetivos da Apac contam recuperação e reintegração social dos condenados às penas privativas de liberdade.

“Diferentemente do sistema carcerário comum, os próprios presos são corresponsáveis pela recuperação, tendo assistência espiritual, social, médica, psicológica e jurídica prestada por voluntários da comunidade”, defendeu.

O Juiz da Vara de Execuções Penais, Geraldo Andersen de Quadros Fernandes, defendeu a implantação da Apac e informou que já estão liberados R$ 2 milhões para a construção da unidade.

“Me solidarizo com os moradores, mas só quem não conhece a Apac fica temoroso. Não é necessário conhecimento jurídico para perceber que o sistema funciona. O modelo avançado de recuperação tem alto nível de eficiência e copiado na Europa. Coloca MG na vanguarda de recuperação. Em Montes Claros, são 1900 presos e a construção da Apac ajudaria na ressocialização dos condenados. Quem não conhece, condena o projeto, que é o sonho dourado de todo preso, é como morar em casa de luxo. Há uma comissão que fiscaliza e que é fiscalizada pelo Judiciário”, afirmou e esclareceu que o problema agora está na lei de doação do terreno, que finda em fevereiro do próximo ano.

“Quando aprovada, em 2010, foi determinado o prazo para construção, o que não aconteceu. Somente agora o Estado direcionou recursos para a obra e há o entrave com a população”, falou.

Representando a Polícia Militar, o Major Giovane, do 10º Batalhão da PM, declarou que onde há Apac não há transtorno social e nem mudança de rotina. Enalteceu a metodologia apaquiana.

Dois recuperandos de Januária estiveram presentes, o Wesley e o Antônio Marcos.

Wesley foi condenado a 11 anos de reclusão no regime fechado. Há sete, ele foi liberado para o semiaberto. Para ele, “a Apac trata a família, ajuda a sociedade. Peço que reflitam sobre a importância do sistema. A Apac faz diferença, transformou a minha vida. Hoje eu sou outra pessoa. Estou sem algemas. Se vocês querem ajudar a sociedade, permitam a construção do centro de ressocialização”, discorreu.

Segundo Antônio Marcos, “a Apac trata, ajuda e cuida, além de reduzir a criminalidade”, anunciou.

Márcio Felipe, hoje é responsável pela segurança da Apac de Pirapora. “Já fui dos dois lados. Em 2010, fui preso. Cheguei ao fundo do poço, mas a Apac me trouxe identidade novamente. Há oito anos estou inserido na sociedade. Nem todo mundo que comete crime é criminoso. Fui preso, não tinha ensino fundamental. Hoje tenho mais de 11 cursos. Sou encarregado de segurança, graças à oportunidade que a Apac que me deu e é essa oportunidade que peço que vocês deixem ofertar a quem errou.

Da Pastoral Carcerária, Dílson Marques, explanou que onde há Apac, a segurança melhorou. Ele pediu que os moradores conheçam a metodologia, pois Montes Claros merece o serviço.

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Assessoria de Comunicação
Câmara Municipal de Montes Claros
Publicado em 29/11/2019