População pede investimento para cultura

A Câmara de Vereadores de Montes Claros promoveu na noite da última quinta-feira (31/10), audiência pública para reivindicar investimentos para a cultura do município. De acordo com a legislação, 1,6 do IPTU arrecadado deve ser investido neste setor, contudo, o recurso não foi destinado para os projetos escolhidos através de edital. O evento foi de iniciativa do Vereador Daniel Dias (PCdoB).

Para o vereador, a audiência é instrumento para buscar respostas, investimento e fortalecer a classe. Segundo ele, os artistas da cidade estão desvalorizados e mesmo assim não perdem a motivação para levar aos montes-clarenses a arte com qualidade.

“Tem verba disponível no caixa da Prefeitura e nada é feito. Investir em cultura e educação não é gasto e sim promover uma sociedade mais apta em poder defender seus direitos e buscar por políticas públicas”, pontuou o Vereador Daniel que também é vice-presidente da Comissão de Cultura da Câmara.

A representante da Frente Brasil Popular, Maria Angélica, ressaltou que o município não valoriza a cultura, deixando esse setor em terceiro plano. Ela lembrou que no último Carnaval, os artistas tiveram que “tirar” do próprio bolso para a realização da festa.“Existem 26 projetos aprovados pelo Sistema Municipal de Incentivo à Cultura de Montes Claros (Sismic), mas nenhum foi contemplado. Isso é um absurdo”, reivindicou Maria Angélica. 

Os artistas presentes destacaram a falta de espaço para as apresentações culturais, principalmente nos bairros distantes da área central. Também cobraram o repasse de 1,6 oriundo do IPTU. Outro destaque foi o dinheiro que Montes Claros perdeu por não valorizar o patrimônio cultural, através do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG) – o município deveria receber R$240 mil, porém receberá apenas R$12 mil.

“A cultura faz parte de quem somos, é o que compõe uma cidade, um povo. Os gestores acreditam que investir em cultura é perder dinheiro – cultura é inclusão e diversidade”, afirmou Nelcira Durães, do departamento de artes da Unimontes.

Segundo a deputada estadual Leninha (PT), desde 2007, Montes Claros não promove circuito cultural e muitos eventos realizados na cidade foram promovidos com dinheiro da população.

O secretário de cultura, João Rodrigues, explicou que o município está enfrentando uma grave crise financeira, devido a falta de repasses do Governo de Minas. De acordo com ele, o prejuízo é de R$250 milhões retidos somente da saúde.

“Criamos um conselho de gestão de crise e pegamos dinheiros de outros setores, assim como da cultura, para não deixar a população sem os serviços básicos. Por isso houve uma interrupção na execução dos projetos culturais. As pastas atrasadas deverão ser implantadas até o final do ano que vem”, garantiu o secretário.



Assessoria de Comunicação da Câmara de Montes Claros - Publicado em 1 de novembro de 2019