Câmara debate a implantação da escola bilíngue

A Câmara de Montes Claros promoveu nesta quinta-feira (26/9), audiência pública para discutir a possibilidade de implantação da escola bilíngue municipal – com o idioma português para ouvintes e para surdos através da linguagem dos sinais. O evento foi de iniciativa do Vereador Soter Magno (PP).

Para o vereador, Montes Claros pode ser pioneira na implantação desse tipo de instituição, sendo exemplo para outras cidades, levando uma melhor qualidade de vida para a população surda. Escolas bilíngues priorizam a língua brasileira de sinais (Libras) como primária e o português escrito como língua secundária para os alunos surdos - ao contrário das escolas inclusivas, que incluem os alunos surdos em salas de aulas mistas com pessoas ouvintes.

Segundo o coordenador do Centro de Atividades Administrativas e Didática (CAAD), Marco Antônio Lopes, nas escolas tradicionais é priorizado o ensino português, deixando a Libras em segundo plano.

“O intérprete se torna o mediador entre o aluno surdo e os demais ouvintes, dificultando a aprendizagem, pois nem sempre esse aluno sabe Libras. As escolas bilíngues são capazes de preparar os estudantes para a vida através do ensino estruturado, baseado na língua de sinais, a partir do uso das atribuições linguísticas das Libras, facilitando o desenvolvimento e a aprendizagem do aluno surdo em sala de aula”, pontuou o coordenador.

Pedro Lucas Monteiro, que é surdo, pediu apoio para implantar no município o bilinguismo, pois de acordo ele, é uma oportunidade de vida. “Já sofremos demais”, destacou. O professor intérprete de libras da UFMG, Maíson Matos, contou que decidiu aprender a língua dos sinais para ajudar um primo que tem deficiência auditiva – em Montes Claros não encontrou essa preparação e teve que mudar para Maringá onde teve várias experiências positivas com a escola bilíngue.

“Percebi que aprender libras é algo natural. Tenho um filho de quatro anos (ouvinte) que já consegue se comunicar com surdos, pois a mãe dele possui deficiência auditiva”, explicou Maíson.

A professora de linguística da Unimontes, Rosana Fróes, destacou que a única experiência desse tipo de ensino foi em 1951, na cidade de São Paulo e nunca mais manifestaram interesse sobre o assunto.

“A escola bilíngue oferecerá ensino integral e deve ser para todas as idades – temos adultos (surdos) com mais de 40 anos que não sabem ler, pois não tiveram a oportunidade de aprender nas escolas tradicionais. Não adianta ter um intérprete nas salas de aula se o aluno não sabe falar através da linguagem dos sinais”, enfatizou a professora.

NECESSIDADE

Verônica Leite, presidente do Conselho Municipal de Direitos da Pessoa com Deficiência, destacou que cada pessoa surda tem necessidades diferentes e por isso a metodologia usada para alfabetizar deve ser direcionada. “Existe o surdo que nasceu assim e têm outros que perderam a audição com o tempo. É preciso respeitar o processo de aprendizagem de cada um. A escola bilíngue vai oportunizar essa independência a população surda”, finalizou.

MUNICÍPIO

Na rede de educação municipal de Montes Claros existem 17 crianças com deficiência auditiva. A coordenadora inclusiva da Secretaria de Educação, Meiriele Duarte, destacou a importância da escola bilíngue, mas caso ela seja implantada, o município será responsável apenas com o ensino inicial (educação infantil). A partir dos próximos ensinos (fundamental e médio) fica à cargo do Estado e até mesmo da União, por isso a necessidade de unir forças.

 

Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal de Montes Claros / Publicado em 26 de setembro de 2019